Claro Brasil Ride - Boletim #2

Weimar Pettengill - Prólogo Claro Brasil Ride 2010
Foto: Marcelo Maragne

Stage 1

Imagine 218 pessoas concentradas aos pés de uma montanha, num local que já fora algum dia um campo de futebol, agora convertido no santuário de um esporte em ascensão no Brasil e no mundo – o Moutain Bike!

Agora pense em uma centena de pessoas trabalhando exaustivamente só para satisfazer plenamente os desejos de fortes emoções daquele primeiro “sortudo” grupo de atletas.

Para completar, pense em Havaí para os surfistas, o Everest para montanhistas, o Tour de France para ciclistas, a Tunísia para mergulhadores, e por aí em diante. Sim, a comparação não é exagero. A Chapada Diamantina está para o Mountain Bike assim como qualquer outro daqueles points estão para outros esportes outdoor. 

Digo isso com a “conivência” de todos os atletas aqui presentes, tenho certeza. O local é inacreditável, a energia do alto da Chapada aqui em Mucugê é perfeita para quem quer descobrir onde fica o tal do limite – se é que existe! 

Hoje foi o primeiro dia de prova. Disputamos o prólogo – uma espécie de “tira-teima” para ver quem é quem, e definir a ordem de largada para amanhã, o primeiro dia realmente duro que enfrentaremos: 140 km com 3500 m de ascensão. Ufa! Canso só de pensar. 



O percurso hoje foi de apenas 13 km. Mas se você acha pouco, saiba que a disputa foi de nível elevadíssimo, e até quem tinha a estratégia de poupar energia viu-se tentado a acelerar, em trechos altamente técnicos, cheios de pedras, valas, areia e um rio para atravessar. A média foi baixa até para os grande nomes do esporte no mundo, como Andy Eyring (Alemanha) e Lukas Kaufmann, (Suíça) – atletas revelação do cenário mundial, dupla que cravou 31'07'' e deixou em êxtase tanto a plateia quanto os demais atletas. 

Mesmo com uma queda feia nas pedras, um quadro bastante arranhado e uma roda totalmente empenada, os europeus mostraram que não estão para brincadeira. O segundo lugar geral ficou com Martin Gujan e Bischof Christof (ambos Suíços) que finalizaram o trecho em 31'25''. Odair Pereira e Edvando Cruz, atletas de São Paulo – Brasil, ficaram com a quarta colocação, atrás da dupla da República Tcheca.

Nas duplas mistas o melhor desempenho brasileiro foi de Adriana Nascimento e Rogério Pires, ambos de São Paulo, que fizeram o 5º melhor tempo: 42'00''. Já na Máster (acima de 40 anos), boas notícias para Brasília: nosso querido Mestre, Abraão Azevedo, fez o melhor tempo com seu novo companheiro de equipe – o paulista Plínio Souza – totalizando 38'05''. Os amigos César e Paulete, de Goiânia, ficaram com a terceira posição, enquanto Rodrigo Pezinho (GO) e Enrico Fávilla (DF), acomodaram-se com a quinta colocação e o tempo de 45'41''. No feminino, Julyana Machado (DF), correndo com Janildes Fernandes (GO) ficou em terceiro e em quarto ficaram Raquel Queiroz (DF) com Érika Gramiscelli (SP). Dá-lhe cerrado! 

Mas a constelação de estrelas não é composta apenas pelos grandes nomes do MTB, nacionais e internacionais. É composta por 218 pessoas que deixaram a zona de conforto sem se preocupar com acomodação em barracas, com previsíveis privações e tendo uma única garantia: sofrimento.

Mas falo de um sofrimento do bem, de superação, de empurrar limites um pouco para lá. Sofrimento que se traduz em compartilhamento, em fazer novos amigos, e conhecer um lugar paradisíaco. 

Neste hall, cito de Brasília três personagens: Robert Schneider, americano radicado no cerrado, que aos 66 anos é exemplo de vida para seus companheiros do Coroas do Cerrado. Também do planalto central, Dani Lemke e Adauto Belli (deficiente visual) surpreenderam a todos, com a participação em uma bicicleta tandem (para duas pessoas). Hoje, dia de trilha extremamente técnica, sofreram e empurraram muito, sem perder a determinação e o foco no que estão empreendendo.
 

Eu também me surpreendi com meu parceiro – com quem não tive a oportunidade de treinar antes da prova. Combinamos de fazer com calma e prudência o prólogo, mas desistimos ao ouvir o “já”. Estou muito orgulhoso do resultado de hoje: 31º na categoria Open – onde estão todas as estrelas internacionais do evento. 

Fizemos o trecho em pouco mais de 46', média do coração em 176 bpm, máxima 193 bpm e 952 calorias gastas por mim para subir 155 metros na altitude acumulada, nos 13km de percurso. 

Retrato da felicidade. Agora é preciso descansar pois a alvorada está prevista para 04h da madrugada, e a largada pontualmente às 06h. 

Volto amanhã com novidades sobre o dia que tem tirado o sono dos atletas nos últimos meses. Aguarde.

Forte abraço,

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