Trekking + Jararaca + Canyoning - parte 2

Veiculado na Correio Braziliense em 20/02/2011 - Fotos: Weimar Pettengill / Cidade de Pedra / Fev 2011


Domingo passado foi o encontro com a Jararaca e seu guardião Marimbondo Cavalo. Depois de muitas fotos, febre, caminhada, escalada e canyon, o rio sumiu sob uma rocha.

- Vamos sem lanterna!

Guilherme Predebom, o terceiro integrante da equipe, foi à frente, seguido por mim e pelo Fabiano Nardoto. Entrei na caverna já agachado, tentando seguir o guia, enquanto os olhos se acostumavam com a falta de luz. Em menos de 03 metros já fiquei entalado. Voltei, tirei a mochila, e retomei a empreitada, sentindo a água nas costas e a pedra no rosto - me arrastando de costas numa fenda de aproximadamente 30 cm de altura. E o barulho de centenas de morcegos. Indescritível a sensação dos rasantes. Seguimos como meninos fazendo coisa errada. Engraçado onde a felicidade se esconde, às vezes.

O rio, e nós, voltamos para a luz em uma rocha vertical. Um buraco suspenso 3m acima do leito. Queda d’água, e de gente. Mergulhamos no poço logo abaixo.


Retomamos a caminhada e o cenário mudou novamente. Agora uma várzea aberta, com rochas milenares no leito do rio, algumas com 5 m de altura, cheias de pedras menores, como verrugas, entaladas. Centenas de milhares. Seguimos o leito de um rio de águas turvas, sinal da chuva na cabeceira.

Eu, que já estava satisfeito, não fazia a menor ideia do que ainda estava por vir. Em alguns minutos, o rio desapareceu novamente. Mas não era caverna, e sim uma cachoeira sensacional, de aproximadamente 40 m de altura, com um poço de água verde no fundo, cercada no lado oposto por um paredão de mais de 100 m de altura - rocha e vegetação. 

Armamos o rapel em duas proteções fixas que equipam o canyon, conquistado há pouco tempo pelo próprio Fabiano, e eu desci primeiro para fazer as fotos da cachoeira. O contraste do calor com a água fria foi um convite para buscar a linha da queda e descer por dentro d’água. 

Mas, ossos do ofício, a corda ficou entalada em uma fenda, e eu não percebi. No meio da descida, fiquei preso. Mas nada seria capaz de diminuir o êxtase que estava sentindo naquele pedaço do paraíso. Travei na coxa a corda e, com as mãos livres, pude recuperar sua ponta. 



Novo cenário. Mata alta, Jacarandás, Landis com 30 m de altura - os populares dizem que sua madeira dura mais dentro d’água que fora, e é utilizada para fazer canoas. Uma família inteira de Macaco Guariba acompanhou nossos desajeitados passos por pedras soltas, dentro do rio. Quase impossível permanecer em pé. E paramos de tentar o equilíbrio assim que ouvimos um barulho e um vulto na copa das árvores. No próximo domingo eu conto o que era...



Comentários

Renata Leite disse…
ô dó, de naum ter ido numa aventura dessa. bacana!

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