Trekking + Jararaca + Canyoning - parte 3


Veiculado na Correio Braziliense em 20/02/2011 - Fotos: Weimar Pettengill / Cidade de Pedra / Fev 2011





Cobras e lagartas. E Marimbondo Cavalo. Flores incríveis. Enxame de abelhas. Escalada livre, mirantes, canyon, caverna com rio subterrâneo - e morcegos. Rapel de 40 m com corda presa no meio da parede. Ufa! Já aconteceu tudo isso (relatos publicados no Correio, nos dois domingos anteriores) e agora este barulho apavorante aqui na Cidade de Pedra. Alguns leitores do Correio pensaram no ET de Varginha! 

- São os macacos. 
- Não. Eu vi um vulto. Voando na nossa direção. Acho que é um gavião! 

Foram alguns minutos dentro d’água, mais preocupados com o desconhecido que com os tombos e o tornozelo torcido - claro. 

Instantes de ansiedade e ela se revelou. E eu nem sabia de sua existência. Fiquei maravilhado com a imagem: Coruja de Óculos. As asas enormes, marrom. O peito branco, a cabeça marrom. Em volta dos olhos, branco. Elegante. Eu diria que, pelo rasante que deu em nós, tinha no mínimo 80 cm de asa / asa. Simplesmente espetacular! 


O rio tornou-se totalmente cristalino, como que purificado. Algumas rochas, mesmo a 2 m de profundidade, parecem aflorar. As pedras são de um verde tão intenso que acendem o ambiente com uma luminosidade incrível. 

Rochas enormes, algo como um apartamento de 03 quartos - de Águas Claras, não do Sudoeste - equilibradas nas dezenas de cachoeiras. Fizemos outro rapel de 20 m e por fim, já cansados da operação de corda, arriscamos um salto de 05 metros na última cachoeira. Deu um frio na barriga quando vi o deslocamento horizontal necessário para evitar um bico de pedra. 

Caminhamos pelo rio, agora mais plano, por quase duas horas, para finalmente ganhar um pasto com aclive forte, e a estrada abandonada que nos levou à sede da fazenda, onde encontraríamos o resgate e fim da aventura. 

Que nada. Só tivemos 08 horas ininterruptas de atividade! 

- Eu acho que, em linha reta, se atravessarmos a Cidade de Pedra, gastamos menos de 40 minutos de caminhada para voltar ao carro. São 17h15. Ainda temos 2h de sol. Quem topa? 

A insana proposta, em minutos, tornou-se a insana ação. Rasga-mato, capim navalha, mata fechada de cipós, brejo, rampas de pedra com escalada livre, morro que não acaba mais. Os previstos 40 minutos tornaram-se, facilmente, quase 2 horas! Sem água, sem comida, o sol baixando no contraforte oposto da montanha. Mas fomos recompensados. 

Ao término, apreciando o pôr-do-sol no alto da Pedra do Mandeta, o Urubu-Rei, com sua magnífica penugem branca e quase 2 m de envergadura. 

Totalizamos o dia com 10 horas de atividade intensa e variada, rodeados de patrimônio natural intacto, espécimes raros e alguns endêmicos. 

Um bom dia de aventura no Planalto Central.





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