Esporte & Aventura - Crianças e Adolescentes I

Veiculado no Correio Braziliense em 17/04/2011 - Foto: Weimar Pettengill / Salto do Corumbá - GO




A julgar pela memória, parece que foi ontem. Um tempo diferente, onde a infância era vivida de uma outra forma. Outros saudosistas também têm a mesma impressão: a vida que proporcionamos aos pequenos, hoje, não é mais como experimentamos um dia.

Cresci no Pantanal, e sexta-feira era sempre o melhor dia da semana: da sala de aula para os corixos. Entre jacarés, sucuris e capivaras, a experiência do “boi de piranha” foi emblemática, e a lógica passou a fazer sentido. Arremessamos um animal rio abaixo para que as piranhas permitam a passagem do restante da boiada.

Também emblemática foi a transição da vida de criança para a de “quase” adolescente. Aos 09 anos conquistei o direito de andar armado (na fazenda) com uma faca e participar da minha primeira comitiva: que responsabilidade! 

São tantas as lembranças que me revolto ao ver os playstations, i-Pads e uma infinidade de outras distrações para o público infanto-juvenil, cada vez mais utilizados como alicerce na formação do caráter, da personalidade, enfim, do cidadão. Quais lembranças serão guardadas? 

Essa e outras perguntas me fizeram refletir e procurar aqui perto da cidade grande as alternativas para viver bons momentos com os filhos. E segue a primeira dica:

Para “quase-adolescentes” acima de 10 anos de idade, acaba de ser inaugurado uma “aventura de gente grande”: A Cerrado Aventuras começou a operar um circuito no Salto do Corumbá. A experiência começa com uma tirolesa de 50 mts, seguida de uma trilha de aproximadamente 1,5 km. Ao atingir o topo da cachoeira, o “explorador” é convidado a fazer um rapel de 51 mts, inclusive com um lance no negativo - sem apoio para os pés.

Convidei minha cobaia, quer dizer, meu amigo Rafael Maffini, experiente desbravador de 11 anos de idade para testar o circuito. A julgar pelas batidas do seu coração ao aproximar-se do abismo, no primeiro rapel de sua vida, seu sorriso amarelo denunciou o medo, e a excitação. Quando pensei que ele não teria coragem, eis que se lançou no vazio, devidamente equipado e orientado pelo guia da Cerrado Aventuras.

Quando o encontrei na base da cachoeira, ainda estava em êxtase, pronto para o Gran Finale: outra tirolesa, de 100m, com uma inclinação acentuada. Descemos a quase 30km/h e mergulhamos no rio Corumbá.

O final da aventura para o Rafa lembrou minhas emoções da infância. Medo, respeito, adrenalina, endorfina, desafios, tensão, e conquistas. Tudo estampado no sorriso, registrado por osmose no DNA. 


No próximo domingo: arvorismo para pequenos grandes homens e mulheres da categoria + de 5 anos.

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