100km de Cerrado - Começou assim.

Publicado no Correio Braziliense em 05 de junho de 2011.


Vinha eu perdido na vida, incomodado com o rumo das coisas, procurando algo que pudesse me dar um norte. Que me fizesse relembrar o menino que ainda existe dentro do peito, mas com o ímpeto de conquistar um grande desafio - daquele tipo onde a força bruta é complementada pela experiência. 

Quando fui a uma loja de bicicleta encher o pneu da bike do meu filho, vi um cartaz: 100 km de Cerrado. Pensei imediatamente: é possível pedalar tudo isso de uma só vez? Voltei para casa com um objetivo claro. Joguei fora a última carteira de cigarro da minha vida, peguei aquele outro tipo de carteira, voltei à loja de bicicletas, comprei uma moutain bike, pedi ajuda, e treinei 30 dias sem parar.

Hoje, em vários momentos pensei em desistir. Ecoei todos os amigos e parentes que me chamaram de louco. Passei fome, senti frio quando o calor era insuportável. Tive cãimbras. Muitas cãibras. O suficiente para me derrubar, e como menino, chorei. Mas quando desistir passou a ser a única alternativa, sacudi a poeira, bati forte no peito, e fiz um compromisso comigo: daqui a pouco vou cruzar aquela linha de chegada e provar - apenas para mim - que eu posso o que eu quero, e que meus 56 anos são meu trunfo. E eu quero a medalha do 100km de Cerrado 2002.

Depois de ganhar um abraço forte de um ilustre desconhecido, ouvi a declaração acima.  A esposa do sujeito abriu uma garrafa de champagne, os filhos abraçaram o pai-herói, e a emoção tomou conta de todos, em frente ao Brasília Shopping. Quanto vale compartilhar um momento desses?

Assim surgiu o 100km de Cerrado. Para quem quer competir, desafiar-se e, de quebra, subir ao podium. Mas o 100km, como ficou carinhosamente conhecido, é muito mais. É uma oportunidade de conhecer limites e empurrá-los um pouco mais para frente. De envolver-se com a saúde, com o esporte, fazer novos amigos e conhecer paisagens inacessíveis para a maioria.

A edição 2011, que começa com o Warm up no próximo domingo, dia 12, é um tributo àqueles que fizeram a história do moutain bike em Brasília. Antes, existiam as mesmas figuras. Hoje, são milhares de pessoas que têm na bicicleta seu hobby, sua diversão, sua razão para dormir cedo, acordar mais cedo ainda, abrir aquele sorriso de criança e aproveitar a vida. 

São vários causos, e personagens incríveis. Durante a próxima semana, você conhecerá aqui no Correio algumas outras facetas que ficaram registradas no 100km. Para saber mais detalhes sobre o próximo final de semana, acesse o desbrava.com.


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