De moto pela América do Sul

Publicado no Correio Braziliense em 19/06/2011
Foto: Weimar Pettengill, imediações do Vulcão Lanin, Sul do Chile / Argentina



Dos sonhos de adolescência, nas tardes embaladas pelo Capital, Camisa, Legião e vários outros, só faltam dois para realizar.

Um deles, tenho certeza, já passou pela cabeça de muitos: subir numa motocicleta e rasgar as fronteiras da América do Sul, vivendo sol e chuva, asfalto e terra, e para mim o mais importante: a Cordilheira dos Andes.

É possível que esse projeto venha a materializar-se ainda esse ano e, como digo sempre, sonhamos, chamamos, planejamos e partimos. Essa sequência nunca falha. 

Na correria diária, já não me lembrava do sonho. Mas bastou sentar sobre uma BMW F800, sentir a maciez do ronco do motor, ajustar o capacete e engatar a primeira. Dei asas à mente. O que seria um teste, quase se transforma num caso de polícia: 

- Socorro, o Weimar pegou a moto para testar e agora está tentando atravessar o Estreito de Beagle, entre a Argentina e o Chile!

Quase mesmo. Há tempos não me surpreendo com uma motocicleta. Não me pergunte quantos quilos, quantos HP’s, nem sobre o sistema de alimentação. Deixo isso para quem entende do assunto. Meu negócio é descobrir onde esse “trem” vai me levar. Se for rápido, um tanto melhor.

Conforto não me diz muito, por isso sempre imaginei as monocilíndricas como motos ideais: mais leves, resistentes, fácil manutenção, dispensando supérfulos. Mas as armas de sedução da bicilíndrica alemã são consideráveis.

A começar pela saúde do motor em qualquer faixa de giro. À medida em que você acelera, o giro aumenta com vigor, e o sorriso é inevitável. Confesso que não caí de amores pelo ABS, principalmente porque no caso da BMW não é possível desligá-lo em movimento, o que torna o aparato um perigo para quem, como eu, basta ver de relance uma estrada de terra para dizer adeus ao asfalto.

Uma vez entendido o limitante, minha próxima surpresa foi no posto de gasolina. Nunca, nada fez mais de 20km / litro nas minhas mãos. Até abastecer a F800. Apesar da capacidade do tanque não ser o que tinha em mente, o consumo permite uma interessante autonomia.

Após alguns dias provando a facilidade de pilotagem inclusive em estradas de terra, algumas trilhas abandonadas e no cascalho solto, mesmo com pneus semi-slick, os planos para a viagem foram se materializando.

O sonho já virou ideia fixa. Brasília, Transamazônica, Rio Branco, Puerto Maldonado, Huaraz, pausa em Lima, Cuzco, La Paz, Salar de Uyuni, descendo do Platô pelos Chacos Bolivianos, Corumbá, Campo Grande, e de volta ao Cerrado.

Acho que já posso passar para o estágio 3: Planejamento detalhado de mais uma grande aventura. Vamos?

Comentários

Gushta disse…
Esse sonho tem prazo e data pra acontecer?

Gustavo
O projeto está nascendo. Tudo é possível. O limite são as chuvas de setembro. Portanto, a época ideal é agosto.
Bruna Souza disse…
Olá, Weimar. Tudo bem?

Chamo-me Bruna e eu trabalho com mídias sociais para uma marca de queijos: a Balkis.

A Balkis patrocina 4 nadadoras que irão atravessar o Canal da Mancha no dia 25/06 se as condições climáticas da data permitirem!!

Lendo seu blog, notei que você já entrevistou um nadador que atravessou o Canal, então você sabe da grandeza desse desafio!

Eu gostaria de gentilmente pedir, para que se possível, você divulgasse o projeto dessas 4 corajosas nadadoras.

A Travessia Balkis será transmitida ao vivo por esse site http://pt-br.justin.tv/travessiabalkis e as nadadoras: Martinha, Giu, Pri e Lu estão compartilhando essa aventura em um blog também http://travessiabalkis.blogspot.com/

Fico agradecida se puder divulgar a Travessia Balkis em seu espaço.

Atenciosamente,
Bruna Souza
b.runa.souza@hotmail.com
Luis Paulinyi disse…
mais um livro saindo...

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