Machu Picchu - Centenário da Redescoberta

Publicado no Correio Braziliense em 10jul11.



O esporte, hoje, é a tônica do Esporte & Aventura, mas nem sempre foi assim. Imagino gregos lançando-se ao mar para combater troianos, tribos nômades do planalto tibetano guerreando contra árabes, ou simplesmente portugueses “descobrindo” novos horizontes: exemplos do peso da aventura na evolução da nossa civilização.

Você pode analisar pelo lado da dificuldade, da linha tênue que separava a vida da morte, da prevalência da força, mas eu prefiro o lado da odisseia, da logística, da glória de transpor obstáculos naturais em busca de um ideal.

Claro que o sacrifício humano implícito nas inúmeras batalhas é um lastro que a humanidade deve carregar por muito tempo, mas são inúmeras e inquestionáveis as obras já realizadas ao longo da história pelo mesmo homem que faz a guerra.

Dentre todas, uma obra em especial: Machu Picchu. A pérola do Império Inca pré-Colombiano, o maior já reunido na América do Sul, sediado no atual Peru. Se Cuzco era o “Umbigo do Mundo”, a capital do Império, Machu Picchu era o local da adoração do Deus Sol, soberano para os Incas. Terra de sacrifício, retiro e abrigo de nobres, mas sobretudo local de comunhão entre o homem, a montanha, o céu e o etéreo.

Graças ao antropólogo, historiador, explorador e político (governador de Connecticut e Senador americano) Hiram Bingham (1875 - 1956), quem conseguiu reunir habilidades tão distintas quanto impensáveis, em 1911 o homem moderno viu cair o véu que escondia a jóia dos Andes ou, de uma forma menos romântica, arrancaram a vegetação que cobrava sua posse original, depois de séculos de abandono da região outrora venerada.

As trilhas Incas já foram o eixo de ligação do Equador à Argentina e Chile, do Pacífico ao Pantanal e floresta amazônica. Hoje, restam preservadas e acessíveis parcas opções. Sem dúvida, a trilha de 04 dias, a partir da “Porta do Sol”, no km 82 da ferrovia Cuzco - Águas Calientes é a mais comentada, conhecida e visitada.

Se você ainda não conhece, aproveite o centenário de sua redescoberta, comemorado agora no mês de julho. O caminho não tem nada de suave, menos ainda de plano. Mas os 04 dias nas trilhas percorridas desde o século XV, o magnetismo do lugar e as marcas deixadas por uma civilização continuam encantando e emocionando pessoas ao redor do globo.

Em que pese o custo cobrado para a caminhada, ou a absurda quantidade de pessoas autorizadas a percorrê-la diariamente, a visita ao Patrimônio Mundial, título concedido pela UNESCO, segue como ponto pacífico do curriculum de qualquer aventureiro moderno.

Acesso ao site da foto: História da Trilha Inca.

Comentários

Triconoma disse…
O melhor caminho para Machu Picchu é também o mais longo e difícil. Saia de Mollepata, faça o trekking por Salcantay e faça a conexão em Huayllabamba, seguindo então no caminho tradicional. Show de bola. Recomendo

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