Pico da Bandeira

Publicado no Correio Braziliense em 24 julho 2011.


Alvorada no Pico do Cristal, visto do Pico da Bandeira - Foto: Weimar Pettengill

Quando o assunto é trekking, especialmente as caminhadas clássicas no Brasil, alguns nomes saltam aos olhos: Serra Fina, Petrópolis – Teresópolis, Itatiaia e Caparaó, só para me restringir a algumas possibilidades.

As desculpas variam: o gosto pela aventura, a beleza cênica ímpar, a alternativa de momentos únicos com amigos ou retomar a função mais básica do nosso corpo: caminhar. O importante é ouvir o chamado da montanha, desejar, planejar, envolver-se com a execução e contemplar, às vezes exausto, a conquista do objetivo.


Guilherme Pettengill, Larissa Pettengill e Matheus Maffini

Compartilhar tais momentos com pessoas que me são caras, como se não bastasse todo o resto, foi a razão principal para retornar ao Parque Nacional do Caparó, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, buscando vencer os 2.892m de altitude do Pico da Bandeira, terceiro maior do País.

Reza a história que, acreditando ser o pico mais alto e imponente do Brasil, D. Pedro II teria ordenado a instalação de uma bandeira do império demarcando o local, o que explicaria a origem do seu nome. Alheio à certeza da informação, mas ciente da ocupação indígena da região desde os tempos imemoriais, e a participação do maciço na história nacional durante a ditadura militar, com a escolha do complexo para abrigar a “Guerrilha do Caparó”, imagino que realizar a travessia entre os Estados de Minas e o Espírito Santo, pelas trilhas da região, deveria ser parte do currículo escolar Brasileiro.

A facilidade logística, a infra-estrutura do Parque, a reconhecida hospitalidade mineira ou a cozinha capixaba praticada nas encostas da Pedra Menina. A trilha com aclive suave no lado mineiro – algumas poucas vezes acentuada – torna acessível o Pico da Bandeira a uma infinidade de perfis, exigindo mais disposição e determinação psicológica que propriamente capacidade física.


Os Maffini's Renata, Vitória e Matheus

O programa que recomendo é fazer a caminhada em três etapas. A primeira fase é percorrer cerca de 5 km entre a Tronqueira e o Terreirão. O acampamento no local é permitido e considerado um bom refúgio para encarar o segundo trecho, bem mais sinuoso – outros 5km. O principal programa do Pico da Bandeira é assistir ao nascer do sol, acima das nuvens. Para isso, o caminhante deve deixar o Terreirão no mais tardar às 03h da madrugada, considerando um ritmo mediano e constante.

Para finalizar, recomendo percorrer a trilha em direção ao Pico do Calçado, outra imponente formação rochosa da região, rumo à Casa Queimada, já no Espírito Santo – cerca de 4,5km. O maciço do Caparaó impede que as correntes úmidas do oceano entrem diretamente em Minas, e o fenômeno explica a exuberante vegetação do lado capixaba do Parque. 

Sem dúvida um programa imperdível.

Comentários

Postagens mais visitadas