Id, Ego e Superego

Publicado no Correio Braziliense em 31 de julho de 2011.
"O Pensador" - Réplica da escultura de Rodin, Museu Brennand - Recife
Imagem Web


Há tempos desisti de tentar explicar o porquê. Não se trata de uma razão específica, isso já entendi. São impulsos que sentimos. Parece que há uma voz interior, ou mesmo aqueles anjos dos desenhos animados, trocando um diálogo mais ou menos assim, ao pé do ouvido:
  • Ele está esperando o quê?
  • Melhor que não vá!
  • Pega logo a mochila, anda.
  • Esse conselho é péssimo...
Antigamente, havia dois apenas. Um sempre zeloso, cuidadoso, preocupado. Já o considerei muito. Graças aos seus conselhos, relutei, posterguei, deixei de experimentar muita coisa.  Recusei convites e, sobretudo, passei horas deitado imaginando como seria se tivesse ido. Lamúrias sem fim, agravadas pela sensação de que a vida urge enquanto corremos em círculos. Nos afastando, assim, dos sonhos mais importantes. Justamente aqueles que nos mantém criativos, despertos, desejosos de realizar e afagar a alma.
Com o passar do tempo, o outro anjo descobriu como chamar minha atenção, vencendo a maioria dos embates. Mais impulsivo, querendo realizar. Desça ali, suba lá. Atravesse por aqui. Pendure-se agora. Corra. Reme. Pedale. Seu modo é imperativo e seu tempo, agora. Durante o reinado do primeiro, mantive-me íntegro, é verdade. Sob a batuta do segundo, algumas cicatrizes, alguns ossos marcados. Um preço justo pela experiência adquirida e pelos momentos vividos - e, diga-se de passagem, pelos sorrisos proporcionados.
Mas com o passar dos anos, parece-me que uma terceira figura apareceu. Mais sensata, comprometida simultaneamente com o realizar e com o manter-se íntegro. Parece-me que um novo quadro foi pintado. Novas possibilidades de mergulhar fundo, e voltar à tona. De escalar uma parede gigante de rocha, e assistir ao por do sol no cume. De experimentar uma descida técnica de mountain bike e, ao final, ter certeza que conseguiu por habilidade, não por mero acaso.
Sentado no divã de Freud, aposto que seu diagnóstico me apresentaria aos ilustres Superego, Ego e Id. Se perdido nas Serras de Minas, certamente o matuto diria, em franco dialeto mineirês: Vô num í, capaz que dá e parti! Suficiente para ilustrar as batalhas psicológicas que travamos antes de qualquer boa empreitada no campo do Esporte & Aventura.
Seja qual for a linha (científica ou popular), recomendo utilizar sem parcimônia o que a tecnologia permite. 
O caminho nas próximas semanas será em uma certa Honda Transalp, cortando o Paralelo 15 na América do Sul. E você poderá acompanhar tudo pelo desbrava.com, via satélite, com o rastro do Spot. Veremos quem fala mais alto.

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