Paralelo 15 - De moto na América do Sul, parte I

Publicado no Correio Braziliense em 07 de agosto de 2011.

Em que pese ser o mergulho em cavernas o esporte de aventura proporcionalmente mais letal que conheço, é preciso pedir licença às estatísticas para fazer uma analogia.

É verdade que quando mergulhei a primeira vez em uma caverna, com a missão de passar de um salão para outro, onde supostamente encontraria oxigênio, o foco estava simplesmente no objetivo: o outro lado.

O pânico quase não me permitiu entender e apreciar o caminho. Para ser sincero, acho que não me lembro da passagem. Apenas alguns flashes do alívio, ao chegar à segurança do outro salão.

Depois da estreia aterradora, quando começei a relaxar e me envolver com a atividade, pude perceber outros detalhes da vida subaquática, sob toneladas de rochas, isolada da luz solar, onde a natureza mostra todo seu esplendor, e alguns caprichos permanecem reservados a poucos.

O caminho, então, se sobrepôs ao destino.

O cenário que descrevi pode sintetizar o real significado de uma viagem. Qualquer viagem. Basta entendê-la como uma grande passagem, onde precisamos estar abertos ao novo, ainda que considerando a necessidade de enfrentar paradigmas, deixar de lado a zona de conforto, correr certos riscos, e desvendar, descobrir, revelar, se necessário for.

Esses foram os sentimentos mais marcantes nos primeiros 1.000 km rodados de moto, nesse projeto Paralelo 15, que começou na última sexta-feira, e que deve me guiar pelo Brasil, Bolívia, Chile e Peru. E claro, a sensação de liberdade, agilidade. Algo que só quem é motociclista consegue captar na íntegra, por mais que eu me esforce.

Tomar um avião, sempre que posso, recuso. Quero perceber que saí de 1.000 mt de altitude de Brasília, e agora estou a 100 mt, 2000 km longe do mar. No sentido oposto, para ser mais correto, na planície pantaneira do Mato Grosso do Sul. E que depois de cruzar Bonito, e o Pantanal da Nhecolândia, vou percorrer os Chacos Bolivianos, para alcançar o platô com altitude média de quase 4.000 mt, na Cordilheira dos Andes.

Certa vez ouvi que a felicidade não é um porto onde um dia atracaremos, para experimentar sua plenitude. “E foram felizes para sempre”, na verdade, nos afasta da essência, muito bem registrada no provérbio “A felicidade está no caminho”. Se não a está encontrando, experimente mudar a direção.

Para saber qual a direção que eu escolhi, basta acessar o desbrava.com. Além dos relatos, o link “find me spot” disponibiliza todo o trajeto, com atualização em tempo real. Divirta-se.

Comentários

Muito bom poder estar acompanhando sua viagem Weimar. Que maravilha!!

Postagens mais visitadas