Paralelo 15 - Escalando no gelo



La Paz está sempre parada. Todos buzinam, gritam, e o trânsito segue, caótico. Parei no primeiro hotel que passei pela frente, com garagem, internet e restaurante. Ainda bem que os preços são padrão Bolívia: um verdadeiro palácio.

Enquanto a banheira (!) enche, acesso a internet, procurando o melhor: escaldada em gelo na Bolívia. O primeiro site que aparece é do conhecido montanhista brasileiro Davi Marski. Tudo que preciso está ali. O primeiro número que tento dá certo, e em 40 minutos encontro, no lobby do hotel, o Genaro.

Sem nos conhecermos, em 10 minutos minha vida estava resolvida. Aluguei todo o equipamento necessário - balaclava, polaina, botas de plástico, piolet, crampons, baudrier (cadeirinha de escalada), mochila grande, arrumei guia de alta montanha, cozinheira, transporte, e até conserto para minha bota de montanha que abriu o bico, literalmente, no Uyuni.

Não acreditei quando, pela manhã seguinte, o Genaro entrou no hotel - quase na hora marcada.

Deixei a moto no hotel, junto com minhas coisas, e parti para o Huayna Potosi, belíssima montanha de 6.088m, que fica nos arredores de La Paz, e segundo o Genaro poderia ser escalada no prazo que eu possuia: 24 horas.



Eu sei. Estou há dias andando de moto, simplesmente. A aclimatação é bem tabajara, não faço exercícios. Mas não poderia, jamais, perder a oportunidade.

Quando deixamos o carro (4.700 m/altitude) em direção ao Campo Base (5.200 m/altitude), percebi que oxigênio não veio, e vi a parede que teria que transpor para alcançar o acampamento, me dei conta que não tenho referências de montanhas de 6.000 metros.


Não tinha. Às 17 horas jantamos, a porta do refúgio se fechou, a temperatura desabou para - 12 graus, e fui tentar dormir, pois o programa de ataque ao cume exigia que estivéssemos escalando por volta de 1 hora da madrugada.


Essa foto foi feita nesse mesmo horário, o começo do sofrimento. Me senti mal, e demorei a entender o que estava fazendo. Para quem estranhou o spot funcionando nesse horário, segue a foto do guia, Eduardo Unzueta, com a lua ao fundo. E não ache que ficou ruim. Com 18 graus abaixo de zero, sentado em um glaciar, foi o máximo que consegui.



Ainda estou em êxtase, com a disposição em tentar, com os obstáculos transpostos, e com o calor da conquista.



A montanha é um lugar especial onde gosto de estar. Difícil escolher quais fotos publicar.


Último campo de gelo, muito inclinado, antes do cume.


A descida para o Campo Argentino: missão cumprida no glaciar, com a lua ainda de testemunha.


Piolet e Crampon, nas montanhas da Bolívia.



Comentários

Oswaldo disse…
Maravilha Weimar!!!
NATANAEL TELES disse…
Fantastico, fico maravilhado com essas imagens, acompanho diariamente o blog, sinto falta de mais videos, parabens, e aguardo as proximas postagens
A cinco seis mil metros de altitude, não exagera muito hein Weimar! We all care about you.

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