Brasil Ride - Ultramaratona de MTB

Publicado no Correio Braziliense em 23 de outubro de 2011.



Burry Stander and Christoph Sauser, campeões do Cape Epic South Africa 2011
foto: Weimar Pettengill, Oak Valley


Uma coisa eu lhe asseguro, caro leitor: nunca imaginei um dia participar de uma ultramaratona de moutain bike. Simplesmente aconteceu. Me recordo de duvidar da minha capacidade para completar o Iron Biker (70 + 50km em média - dois dias). Depois comecei a completar provas de 100km em um dia. Mas provas de 600 ou 800km pareciam algo intangível.

Quando recebi o convite do Sr. Mário Roma para participar da primeira edição do Brasil Ride na Chapada Dimantina, em 2010, abriram-se as cortinas de um novo mundo, que não exito em chamar de fantástico: as Stage Races são a maior sensação no mundo das duas rodas movidas por músculos, alimentados de lama, poeira, montanhas, trilhas, rios, cachoeiras e determinação.

Atletas profissionais podem dizer com mais propriedade como é treinar para algo dessa magnitude. Eu sigo com um conceito básico: é muito mais uma questão psicológica que fisiológica. É claro que quanto mais treino orientado, menos sofrimento. Mas sofrer faz parte do pacote, e de certa forma valoriza a medalha de finisher, verdadeiro troféu para 90% dos corajosos que fazem a inscrição para um “rolé” de 600km, 11400m de ascensão, em 7 dias de frio, chuva, calor e suor. Muito suor.

O dia começa, na verdade, ainda na madrugada. Às 4h a corneta do quartel é substituída por música agitada, e a barraca parece o lugar mais confortável do mundo: tudo para não deixar o saco de dormir, ainda mais se a chuva estiver castigando o acampamento. 

Algumas provas chegam a ter 1200 participantes (como o Cape Epic, na África do Sul). Imagine uma multidão para usar o toilete, tomar banho, café da manhã, e estar pronto para largar às 6h.

Depois disso é só fazer força, comer e beber em movimento, acelerar no plano, sofrer na subida, divertir-se na descida, empurrar em vários trechos com degraus de pedra ou muita lama, administrar o coração e a musculatura, e não esquecer de estimular o parceiro — todas as provas exigem participação em duplas.

Depois de 11h de pedal, a linha de chegada parece colo de mãe. Até o momento em que lembramos ter mais 06 dias pela frente, ou mais! Assim que se cruza a linha de chegada de uma etapa, a ordem é comer tudo que for possível. Lavar a bicicleta, fazer manutenção, tomar banho, lavar a roupa, e jantar (nesse quesito, a prova do Brasil mostrou-se o paraíso da gastronomia). Claro que uma taça de vinho é obrigatória, e ajuda a dormir bem, afinal, em poucas horas começa tudo novamente.

Para o Brasil Ride 2011 não dá tempo. Começa hoje, aqui em Mucugê - BA. Mas para quem gosta de desafios, estas são as 5 melhores provas da atualidade: Transalp (Alemanha / Áustria / Suíça / Itália - 8 dias), Transrockies (Canadá - 7 dias), Cape Epic (África do Sul - 8 dias), La Ruta de Los Conquistadores (Costa Rica - 4 dias) e Brasil Ride (Chapada Diamantina - 7 dias). Vamos conhecer o mundo em 2012, pedalando?

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