quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Natação em Águas Abertas

Publicado no Correio Braziliense em 16 de outubro de 2011.

Foto: web, site Tri247.com

Reza a lenda que um certo Leandro, um grego afastado da sua amada Sacerdotisa de Heles na Grécia Clássica, cumpria diariamente, ao cair da noite, uma árdua tarefa: nadar os 1.600 metros que separam a Ásia da Europa, no Estreito de Dardanelos, para pernoitar junto à amada, e retornar antes do amanhecer.

Verdade ou não, o relato acima é um dos milhares de exemplos que nos permitem relembrar sempre: a natação acompanha a evolução humana desde os primórdios. Com fins de sobrevivência, notoriamente fuga ou caça, pinturas rupestres fazem alusão à flutuação, e nos remetem há 7000 anos.

Os egípcios na antiguidade já utilizavam os movimentos na água como parte fundamental da educação de crianças, jovens e adultos. E o desenvolvimento da navegação deu-se com a exigência do “saber nadar”, para recuperar cargas perdidas e para salvar-se, claro, em situações de naufrágio. Os gregos antigos, como parte do culto à beleza, recomendavam a natação e os campeões eram homenageados em estátuas de mármore. 

Mais recentemente, a própria comunidade médica passou a recomendar a natação, enquanto prática esportiva de baixo impacto e movimentando o maior número possível de grupos musculares, como antídoto para o sedentarismo. 

Mas como digo sempre, os últimos 50 anos foram de destruição do padrão genético humano: assim como o controle remoto, o celular, a escada rolante, o elevador, o self service e tantas outras mazelas, criamos a piscina — e desde então nadar em águas abertas e turvas, de rios, lagos, lagoas e braços de mar, perdeu praticantes. As caixas seladas com água tratada substituíram a convivência com os ambientes naturais, e a natação como conhecemos hoje conquistou o mundo. 

Mas felizmente o embrião da natação em águas abertas permaneceu vivo no Brasil, e agora encontra-se em franca expansão. Assim é em Brasília, onde nadadores, triatletas e corredores de aventura são público cativo das travessias no Lago Paranoá.

Se você nada, já nadou ou gostaria de, não perca a oportunidade. No próximo dia 30 de outubro acontece a segunda edição da Travessia Aquática Cia Athletica Royal Tulip, com distâncias de 1 e 2 km. No dia que antecede o evento, haverá uma palestra com o ex-nadador olímpico Luiz Lima, maior fundista da natação brasileira, como aperitivo para quem gosta de fazer mais que contar ladrilhos. Para mais informações, inclusive para saber sobre o pacote especialmente criado pelo Hotel Royal Tulip para os atletas, acesse www.activesports.com.br.

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