Brasil Ride / Prologue



Café da manhã exclusivo para os Guarinis (atletas que completaram as três edições do Brasil Ride) e as estrelas como Bar Brentjens - primeiro campeão olímpico da história do MTB.


Pedalo há mais de 15 anos, já percorri milhares de quilômetros e estou na minha quarta ultramatarona de mountain bike, sem falar nas inúmeras viagens de bike. Sigo com o firme propósito de tentar responder a uma questão bem simples: Por que?

Deixar a família, o trabalho, os compromissos sociais, e a zona de conforto. E não é somente durante uma semana inteira, duração normal de uma corrida de estágios como os gringos chamam, as Stage Races. São meses de treino, dormindo cedo, acordando mais cedo ainda, não importando se calor ou frio, noite ou dia, sol ou chuva. Com uma única certeza: o sofrimento que te aguarda.

Mas a terceira edição do Brasil Ride me abriu uma pista importante, que merece ser investigada:

Today I will do what others won't, so tomorrow I can do what others can't.


A dupla portuguesa da equipe Lapierre, Tiago Ferreira e Luis Leão Pinto, vencedores do prólogo 2012


Estou aqui porque eu posso. Pela vida que levo, pelos amigos que tenho. Pelo corpo estimulado, e pela mente fortalecida. E, melhor de tudo, não estou só. Na verdade, estou muito bem acompanhado por cerca de 300 atletas, de 19 países diferentes. Homens e mulheres que estão aqui porque podem. Se terminarão todas as etapas, se subirão ao podium, ou se sairão da Chapada Diamantina frustrados prometendo que no ano que vem farão mais e melhor, nós acompanharemos no decorrer da semana. Por hora, cabe o registro: colhemos o que plantamos, e com esses atletas não será diferente. Que colham sucesso e glória, pois saúde física, psicológica e amigos de verdade, na Bahia, é tempo de fartura.

Acabamos de finalizar o prólogo, uma etapa que não vale, a rigor, nada. Mas que nenhuma dupla deixa de fazer o seu melhor. Em que pese o risco de acidente em um percurso altamente técnico, que classifiquei como a melhor trilha de 2012, o traçado já sensacional ganhou outros 6km, saltando de 45min dos anos anteriores, para 1h10min - média.

Os portugueses da Lapierre, Tiago Ferreira e Luis Leão Pinto (vice-campeão 2011), foram os melhores do dia, com incríveis 53m31, seguidos pela BMC Racing (República Tcheca) e em terceiro pela Milka Superior, do primeiro campeão olímpico da história do mountain bike, o holandês Bart Brentjens. O quarto colocado foi o atleta olímpico japonês, o super simpático Kohei Yamamoto, correndo com o mineiro Daniel Carneiro, dupla que colocou 50sec da equipe Caloi - melhor colocação de uma equipe totalmente tupiniquin.

O melhor resultado do Cerrado foi de Josemberg Montoya, em décimo, com Abraão Azevedo em décimo primeiro, 16° de André Decanha, 17° de Heleno Borges e 21° para Vinícios Gonçalves e André Almeida.

Vencido o aquecimento de 18km, vamos para o Salve-se quem Puder, ou como preferem os baianos: dê adeus mainha. Amanhã serão os temíveis 144km com 3072m de escalada, prazo máximo de 12 horas para conclusão, e uma altimetria que ficará gravada por muitos anos na batata dos corajosos ciclistas.

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