BMW GS 1200 - 2013

Após anos de admiração distante, quando enfim pude acelerar a BMW GS 1200 Adventure não consegui disfarçar a frustração. Claro que fui crucificado pelos amigos céticos quando emiti o laudo final: Xôxa! Estável, mas grande. Boa ciclística, mas pesada. E o motor? Esperava muito mais do lendário Boxer de 1170cc e 110cv.

Pois bem. Hora de rever conceitos com a nova Gelände/Straße.


O traje escolhido é de gala. Sóbrio, exala nobreza. O acabamento melhorou muito, parece mais afinado. Mas a propaganda de motor ecologicamente mais correto contrasta com o visual do escapamento, gerando um conflito de sensações off line. A mesma propaganda diz que aumentou 15cv em relação à antecessora, mas eu seguia desanimado. Até às 11h de hoje.

Deveria chamar-se, agora, BMW GS 1200 Spice. O primeiro contato foi assim, desligando tudo o que é supérfluo em uma big trail dual purpose. Nada de controle de tração, muito menos ABS. Coloco a suspensão no modo mais duro possível, e se der para aumentar a altura, quero no máximo. Dei até um sorriso quando o ajuste eletrônico da suspensão traseira me obrigou a equilibrar 238kg na ponta dos pés.

Mas foi pela mão direita que o impulso cardíaco atingiu seu ápice. Sede de asfalto, de terra, de ir adiante, nem importa exatamente para onde. O que importa é que quanto mais você torce o cabo, mais ela agradece. Terceira marcha, 160km/h. O ronco grosso invade o capacete, jogo a quarta marcha, mal começo a acelerar e me lembro que esse não é o melhor lugar. 


“PelamordeDeus” quero ir pra estrada!

Faço um retorno, engato a segunda, a meio acelerador e sinto a roda traseira desgarrando do asfalto poroso, tal qual uma roadster faria. Ah! Você quer me derrubar? Penso me sentindo um peão de rodeio “garrado” no chifre do touro. Então toma. Torço de vez o cabo, a traseira cola no chão e a dianteira levanta, quase 90 graus, ainda com a roda dianteira apoiada no batente direito. Passo a terceira, a quarta, e o monstro toma feições de cordeiro, seguindo dócil apoiada apenas no pneu traseiro. 


Recobro os sentidos, sem jamais perder o sorriso. Melhor sentar e escrever logo minhas primeiras impressões.

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