Abraão Azevedo - Bicampeão do Cape-Epic

"If you are going through hell, keep going"
Winston Churchill

Abraão e Bart Brentjens, na coletiva de imprensa
do Cape Epic 2014: Bi-campeões na África do Sul
Publicado na Revista Bike Action, Abril 2014.


Conheci o Abraão Azevedo no Iron Biker de 1997. Depois de dar o sangue em busca da vitória, perdeu. E à boca miúda, ouvi em alto e bom som: 

- Que pena. Vai encerrar a carreira sem nunca ter vencido o Iron Biker. Já está velho. O tempo passou para ele.

Isso foi há 17 anos. Mas o goiano radicado em Brasília, exemplo de simplicidade e determinação, não aceitou a provocação. Voltou e ganhou duas vezes a maior prova de mountain bike do Brasil (2000 e 2005). E foi campeão Pan-Americano!

Treze anos se passaram, e a especulação voltou: 

- Agora que ele já fez de tudo, aposentadoria. Certeza!

Só que não. Abraão foi vice-campeão mundial. Mas a prata era pouco. Voltou lá e nos trouxe o ouro. Então fez o que considero mágico: reinventou-se, no mesmo esporte. Juntamente com o Brasil Ride, o “Patrão" - como é carinhosamente chamado em Brasília - nos prova que nada resiste à dedicação. 
Ganhou todas as edições do Brasil Ride até hoje (considerada a Stage Race mais difícil do planeta), cada vez com um parceiro diferente, à exceção de 2014, novamente com o primeiro campeão olímpico da história do Mountain Bike, o Holandês Bart Brentjens.

A despeito da falta de incentivo, das dificuldades para se manter no topo, mergulhou duas vezes seguidas no Cape-Epic, de onde saiu no lugar feito para ele: o alto do podium.

Estrategista nato, me divertia com ele e a altimetria da etapa seguinte:

- Patrão, até aqui estarei com a Elite. Ali, naquela subida, vou dar uma borrachada e ver quem sobra…

Sorriso maroto como quem adivinha o futuro. A piada da tarde no motor home do “Champs”, comendo arroz integral com cogumelos, tomate e pepino preparados por ele, transformava-se em orgulho à noite, no jantar de gala para 2.000 pessoas em plena África:

- E em primeiro lugar, Bart Brentjens da Holanda e Abraão Azevedo, do Brasil.

Dava vontade de pegar um megafone, do outro lado do Atlântico, e gritar para todo o Brasil: 

- Quando é que vamos aprender a cuidar bem das nossas estrelas do esporte?

Mestre, Patrão, Champs: você é orgulho e fonte de inspiração. 
Parabéns por mais um título.

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