Cape Epic 2014

7 Insanas
Estágio 2 - South Africa
8 dias, 718 km, 14.000 up
Publicado na Revista Bike Action    Fotos: Sportgraf 




Até conhecer a África do Sul, há 3 anos, tinha a Europa para o ciclismo de estrada como a América do Norte para o Mountain Bike, mas revi meus conceitos ao colocar os pés na Cidade do Cabo, ainda em 2011. Quando falamos em números absolutos, o continente que viu o homem levantar e andar, agora o vê pedalar.

Pense em um grande evento: certamente o maior será na África do Sul. Em Cape Town acontece anualmente o Cape Argus, uma prova com mais de 100km de percurso, no asfalto, com 36.000 inscritos (2014 - novo recorde). São 6 horas de largada!



E se o assunto é mountain bike, impossível não falar do Absa Cape-Epic. Esse ano foi a Edição de número 11, novamente com a participação de 600 duplas - número limitado pela organização. Oito dias de puro mountain bike, cenários incríveis e grandes desafios.

Mas você acha que é só uma corridinha de bicicleta, só que na África, cuidado com a decepção. São 1200 atletas, em 05 categorias: Pro, Master, Gran Master, Mix e Ladies - reunindo os melhores do mundo, em 2014 com 46 países representados. Somente 03 lugares no podium, para cada categoria. Cada atleta paga, de inscrição, U$ 2.500. O evento tem uma receita estimada em U$ 5.000.000, inclusos patrocínios. No ano passado, a loteria que é a porta de entrada do evento encerrou as 600 vagas em 57 segundos, com um ano de antecedência!



E se entra, sai. Mais de 80 caminhões cuidam de armar e desarmar os circos - a grande maioria dos atletas fica acampada. São 850 pessoas na organização, dos quais 50 voluntários,  e 11 estrangeiros que pagaram suas despesas para juntar-se à festa. Cerca de 32.000 refeições servidas em meio ao nada: em um gramado de uma fazenda ou no próprio pasto. Além disso, 03 helicópteros em tempo integral cuidam das imagens. Cerca de 3.000 pessoas acompanham a prova, e no ano passado, 2714 consultas médicas foram realizadas pela equipe de plantão. E toda a estrutura deve respeitar as exigências da África: muito vento, chuva, frio, lama, ou calor. Ou todos juntos no mesmo dia!

A prova atingiu um nível de excelência que não apenas é um novo marco na história do Mtb, mas estabelece níveis dificilmente imagináveis, sequer replicáveis. Da pontualidade em que a rotina diária é estabelecida às toalhas geladas que o competidor recebe na chegada, uma para limpar o grosso da poeira (ou lama), outra para colocar na nuca e baixar a temperatura do corpo, enquanto saboreia um incrível kit balanceado de nutrição, e a organização lava sua bicicleta.



E à disposição do atleta, todo tipo imaginável de conforto. Do upgrade para hotéis, com transfer à sua disposição, à carga do seu Garmin. Rastreamento online também foi outra novidade implantada neste ano, e festejada por quem fica no apoio. São dezenas de lojas, oficinas e expositores que compõem o comboio. E não é só uma questão de patrocínio, mas de envolvimento. Você pára no posto de hidratação e avança na comida na mesma velocidade que alguém da Oakley (um dos patrocinadores de 2014) avança e pega seus óculos, lava e passa um anti-embaçante. Bem antes de você pensar em parar de comer, com um sorriso de satisfação e palavras de coragem, suas lentes estão novamente no rosto. Quase não dá para ajudar o pessoal que fica lubrificando as correntes.

Tudo para garantir que você terá uma semana inesquecível, e que levará para casa as melhores impressões.



Aliás, esse é o maior aprendizado que trago para o Brasil: quando o envolvimento é geral, todos ganham. Não há reserva de mercado. Os fazendeiros, por exemplo, descobriram que podiam utilizar as partes de reserva das fazendas para fazer trilhas próprias para bikes, com manejo impecável. 



Assim, atraem clientes para degustar e comprar seu vinho, ou o mel produzido na fazenda. Ou as frutas. Ou uma saborosa refeição. E ao trazer os ciclistas para dentro da porteira, viram suas famílias se modificarem, aderindo ao pedal. Mais pessoas, mais trilhas, mais oportunidades. E o Cape aproveita todas elas. Seguimos saltando montanhas em áreas abertas, com a imensidão africana, rodando em estradas abertas ou dentro de bike parks - alucinantes trilhas que proporcionam incríveis sorrisos. 




Definitivamente, deixo a África com a sensação que eles aprenderam, como ninguém, a fazer a roda girar. Fica o sonho de ver o Brasil fazendo acontecer também. 



Quanto ao Projeto 7 Insanas, acho que vou mudar o nome. Sete Insanas e um desajustado. Onde você estava que não me impediu? Nem para mandar uma simples mensagem de alerta: - Ô doidão, 07 ultras? Sensações loucas. No dia que desembarquei na África, recebi a confirmação da BC Bike Race. Agora, enquanto escrevo o relato do Cape, compro a passagem para o Canadá. Vancouver, junho tem mais. 




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Abaixo os vídeos feitos para o site PraQuemPedala:






Comentários

EMERSONFN disse…
Nota 1000! É um dos meus planos! Sensacional! Sucesso!

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